Para quem chegou ao final deste ano com algum dinheiro disponível, a melhor opção é pagar parte das dívidas contraídas junto dos bancos.
A actual crise financeira, com o impacto directo na economia e no emprego, veio dar relevância à necessidade de maior poupança, quer numa perspectiva de prevenção do futuro, quer numa estratégia deliberada de redução de empréstimos.A decisão de aplicação de poupanças nem sempre é fácil, em especial quando o resultado dessa aplicação não é imediata, como é o caso da poupança para a reforma, ou pouco visível, como a amortização de pequenos montantes no empréstimo à habitação.
A constituição de poupanças deve ser acompanhada pela definição de uma estratégia relativa à sua aplicação. Com objectivos definidos, é mais fácil atingir a meta proposta e conquistar maior segurança face à actual conjuntura ou face ao futuro.
Nesse sentido, a Deco Proteste tem defendido a importância de as famílias constituírem uma poupança que vise cautelar situações de desemprego ou despesas inesperadas. António Ribeiro, economista desta associação de defesa dos consumidores, recorda que esse fundo de maneio deve conter entre três e seis salários mensais, ou o correspondente às despesas correntes de três ou seis meses. Depois de constituído este "fundo de maneio", ele deverá ser aplicado num produto financeiro que garanta liquidez, ou seja, que possa ser resgatado rapidamente.
Os depósitos a prazo, mesmo pelo período de um ano, podem ser uma boa aplicação, porque, como explica António Ribeiro, o capital está garantido e apenas poderá haver lugar a perda de juros, em caso de necessidade de levantamento antes do prazo.Constituído o fundo de maneio, que dará maior segurança às famílias, a aplicação de poupanças implica a definição de prioridades a médio e a longo prazo. A existência de empréstimos, à habitação ou ao consumo, pode facilitar essa decisão.
Numa altura em que se torna cada vez mais difícil financiar o actual Estado social e parece inevitável uma redução da pensão de reforma, a canalização de pequenos montantes para este fim pode ser uma boa opção. A subscrição ou reforço de um Plano Poupança Reforma (PPR) garante este ano os últimos benefícios fiscais de relevo.
A subida das taxas de juro dos depósitos bancários e o aparecimento, em condições excepcionais, dos Certificados do Tesouro tornam a aplicação de poupanças um pouco mais difícil. Vinay Pranjivan, economista da Deco Proteste, refere que se uma família tem algumas poupanças e tem créditos ao consumo, a que estão sempre associadas taxas de juro muito elevadas, não há qualquer dúvida de que a opção deve ser a amortização desse crédito. Há taxas de juro no crédito ao consumo superiores a 20 por cento, pelo que não há qualquer tipo de aplicação de poupanças, nos moldes tradicionais [garantia de capital], que possa compensar esses valores. No caso de amortização de empréstimos ao consumo mais antigos (carro e electrodomésticos, por exemplo) ou outros, há que contar com a taxa de amortização, que em alguns casos pode ser muito elevada, até cinco por cento.Nos empréstimos ao consumo mais recentes, essa comissão foi reduzida para 0,5 por cento, ou 0,25 por cento se faltar menos de um ano para a sua conclusão.
A utilização de pequenas poupanças para amortizar o empréstimo da casa, habitualmente de montante elevado, pode parecer pouco atractivo, dado que as taxas Euribor, que estão na base da maioria dos empréstimos, estão em níveis historicamente baixos, embora com tendência de subida. Mas uma simulação feita pelo PÚBLICO mostra que o impacto pode ser expressivo.
Um empréstimo de 150 mil euros, indexado à Euribor a seis meses (media de Novembro: 1,269 por cento), com um spread de 0,7 por cento, implica uma prestação mensal de 552,11 euros. O mesmo empréstimo, no montante de 145 mil euros, ou seja menos cinco euros, corresponde a uma prestação de 533,70 euros. Há uma redução mensal de 18,41 euros, e anual de 220,92 euros. Com um spread mais alto, de dois por cento, por exemplo, a poupança é muito maior.
Por isso, Vinay Pranjivan lembra que nos contratos à habitação mais recentes, onde os spreads são muito mais elevados, o impacto da subida das taxas de juro será mais significativo e as amortizações de capital podem justificar-se. Até porque há um outro ganho, que é o da redução da prestação do seguro de vida, cuja actualização face ao montante em dívida é praticamente imediata.
Opções menos vantajosas
No entanto, nas amortizações do crédito para compra de habitação própria deve ter-se em conta a possibilidade de dedução fiscal que é possível fazer em sede de IRS, que pode atingir os 591 euros por casal, montante que pode ser majorado em 10 por cento no caso da habitação se integrar num escalão e eficiência energética A ou A+. O montante de dedução máxima não será conseguido se a prestação mensal quebrar a fasquia dos 190 euros mensais.
No entanto, nas amortizações do crédito para compra de habitação própria deve ter-se em conta a possibilidade de dedução fiscal que é possível fazer em sede de IRS, que pode atingir os 591 euros por casal, montante que pode ser majorado em 10 por cento no caso da habitação se integrar num escalão e eficiência energética A ou A+. O montante de dedução máxima não será conseguido se a prestação mensal quebrar a fasquia dos 190 euros mensais.
No caso das amortizações deste tipo de empréstimos é ainda necessário lembrar que, numa boa parte dos contratos, há lugar ao pagamento de uma comissão de resgate de 0,5 por cento no crédito indexado à taxa variável (Euribor), o que representa 25 euros em cinco mil euros, mas sobe para dois por cento no caso de taxa fixa.
A aplicação de cinco mil euros num depósito a prazo, mesmo num dos mais altos do mercado (3,16 por cento) garante um rendimento anual líquido de 155 euros, bastante menos do que a poupança conseguida. Nem mesmo os novos Certificados do Tesouro (CT) compensam. Quando muito, a 10 anos, a aplicação de cinco mil euros garantiria um rendimento de 2551 euros, que dividido, daria um rendimento anual de 255 euros. Apenas se taxa de juro do crédito à habitação se mantivesse igual ao valor de Novembro, o que é muito pouco provável, e sem incluir a poupança do seguro de vida, é que o investimento em CT poderia compensar em relação à amortização do empréstimo à habitação.
A aplicação de cinco mil euros num depósito a prazo, mesmo num dos mais altos do mercado (3,16 por cento) garante um rendimento anual líquido de 155 euros, bastante menos do que a poupança conseguida. Nem mesmo os novos Certificados do Tesouro (CT) compensam. Quando muito, a 10 anos, a aplicação de cinco mil euros garantiria um rendimento de 2551 euros, que dividido, daria um rendimento anual de 255 euros. Apenas se taxa de juro do crédito à habitação se mantivesse igual ao valor de Novembro, o que é muito pouco provável, e sem incluir a poupança do seguro de vida, é que o investimento em CT poderia compensar em relação à amortização do empréstimo à habitação.
12.12.2010 - Público online Por Rosa Soares
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